Volks, Defeitos, Linha de Produto

Outubro 21, 2009 por Julio Cesar Sampaio do Prado Leite

Esta nota serve dois propósitos.

O primeiro é para, mais uma vez,  mostrar como o software torna-se cada vez mais próximo do público de maneira geral. A foto abaixo mostra um anúncio feito pela Volks no jornal O Globo de 19 de outubro de 2009. A razão do anúncio é a substituição de um componente presente em dois tipos de veículos em função de defeito no componente. Só que o componente é software. É a primeira vez que vejo um “recall” de automóveis falando diretamente do software.

Passat

Enfim, mais um alerta para o papel fundamental da Engenharia de Software.

Outro ponto interessante é que um anúncio semelhante (veja abaixo) feito por outra empresa, na verdade pertencente ao mesmo grupo da Volks, a Audi aparece no mesmo jornal, mas em página diferente. Nele a Audi chama para um “recall” exatamente igual a chamada da Volks. Aqui , se pode inferir que as plataformas para produção dos veículos são basicamente as mesmas, isto é eles foram concebidos segundo a filosofia de Linha de Produto, algo que a indústria de software já utiliza também.

Audi

Darcy Ribeiro

Setembro 27, 2009 por Julio Cesar Sampaio do Prado Leite

Caramba! Semana passada, numa aula, mencionei Darcy Ribeiro: fiquei surpreso com o desconhecimento dos alunos sobre essa importante figura do Brasil recente. Na mesma semana o articulista Zuenir Ventura se lembrava da falta que ele faz.

Aproveito a oportunidade para citar uma passagem do seu discurso de posse no Senado Federal em 1991 (em Utopia Brasil : Darcy Ribeiro, Isa Grispum Ferraz (organizadora)):

“Herdamos uma das províncias maiores, mais belas e ricas do planeta. Somos um povo movido por uma incansável vontade de viver e de trabalhar; ativado pelo desejo mais intenso de felicidade; animado por uma alegria inverossímil para quem enfrenta tanta miséria. Esse povo nosso multitudinário e criativo aí esta, disperso dentro do que resta da natureza mais prodigiosa da Terra. Aí está à espera de uma política econômica que faça dele o protagonista de seu destino.”

Creio que parte desse texto já está presente no magistral livro, “O Povo Brasileiro”, leitura obrigatória para quem quer melhor entender o que somos. Já deveria ter incluído-o na lista de livros recomendados, mas faço-o agora.

Sigam os seguintes elos para conhecer mais sobre esse importante brasileiro:

Origens da Engenharia de Requisitos

Julho 11, 2009 por Julio Cesar Sampaio do Prado Leite

Como diz o Professor Daniel Berry, sou um dos fundadores da área de Engenharia de Requisitos. Isso se baseia no fato de que participei do primeiro comitê de programa da conferência de Engenharia de Requisitos (RE), bem como de ser membro fundador do IFIP W.G. 2.9, grupo dedicado ao estudo da Engenharia de Requisitos.

Acabo de recuperar, e colocar a disposição, uma revisão bibliográfica (“Survey”) que antecedeu minha tese. Esse documento contribuiu para a formação da nova área, que na época chamava-se de análise de requisitos. Eu fui um dos primeiros a apontar o problema com o uso da palavra análise para denotar a semântica da construção de requisitos. Esse relatório foi tão requisitado à Universidade da Califórnia, Irvine que passou a ser listado na “Amazon”.

O texto está em Inglês. É uma coletânea bibliográfica que lista mais de 200 trabalhos em áreas correlatas ao tema.

Em preparação para uma palestra que proferi no Festschrift do Professor John Mylopoulos, precisei conferir a influência de Mylopoulos na Engenharia de Requisitos e recorri ao “Survey”. Essa releitura deixou clara a importância do Professor, principalmente pelo livro “On Conceptual Modelling, Perspectives from Artificial Intelligence, Databases, and Programming Languages”, como também foi uma forte motivação para que eu disponibilizasse o texto.

Quase

Julho 11, 2009 por Julio Cesar Sampaio do Prado Leite

Gostaria de agradecer os votos que recebi na eleição da Sociedade Brasileira de Computação. Sinto-me honrado com a o número de votos, quase o suficiente para, mais uma vez, participar do conselho.

Candidato

Maio 4, 2009 por Julio Cesar Sampaio do Prado Leite

Sou candidato a uma vaga no conselho da Sociedade Brasileira de Computação para o periódo 2009-2011. Já fui membro do conselho entre 1996 e 2000. Fui convidado a participar e aceitei essa responsabilidade.

Enviei à Sociedade o seguinte resumo sobre minha candidatura:

Gostaria de agradecer a indicação de meu nome para concorrer ao conselho, posição que já ocupei por dois mandatos. Creio que temos que reconhecer o importante papel da SBC na formação da comunidade de Informática no Brasil. A ação da SBC em grupo, ou pelos seus membros, foi decisiva no substancial avanço da Computação no país, que hoje conta com grupos sólidos na formação de cientistas e profissionais de alta qualidade. Pela nossa história, temos o dever de querer mais. Procurarei ter participação ativa com transparência, no sentido de manter a SBC rumo a sua missão. Acredito que temos três grandes frentes: a) consolidar a Computação como área de ponta na Ciência Nacional, b) difundir os conhecimentos, aqui produzidos, para o consumo interno do país, e c) mostrar à sociedade o papel da Computação na construção de sistemas sociais mais transparentes. Por isso, peço seu voto. Obrigado.

Gostaria de comentar os três itens apontados acima.

Primeiro, creio que a SBC tem um papel importante na divulgação das conquistas feitas pela Computação no Brasil e, com base nisso, deve procurar mostrar ao estado e a sociedade a necessidade do aporte de recursos de pesquisa para que a área continue expandindo-se. Formamos muitos cientistas em pouco tempo, agora precisamos manter essa população para que continue produzindo ciência.

Segundo, temos que aumentar a divulgação dos resultados alcançados entre nós mesmos. Isso significa ter uma política clara de apoio aos periódicos nacionais, visando a incentivá-los a tornarem-se publicações de impacto. Temos que ser criativos nessas políticas e entender que, cada vez mais, parcelas da população gostariam de ter acesso a resultados de pesquisas. Hoje, nossa área, tem poucos meios de divulgação em Português na categoria de periódicos. Temos, também, que colocar o imenso volume de contribuições aos simpósios e conferências nacionais, já existentes, disponíveis na rede para acesso livre.

Terceiro, precisamos ser mais ativos em procurar parcerias com outras disciplinas no sentido de prover apoio a construção de sistemas de informação que apóiem vários aspectos da vida em sociedade. Sistemas de saúde, sistemas de distribuição de energia, sistemas de administração pública entre outros podem e devem usar os resultados da comunidade. O uso dos conhecimentos produzidos, em conjunto com outras áreas do conhecimento levará a sistemas mais eficazes, no sentido de melhorar a condição de vida de todos. Espera-se, também, que isso seja feito de maneira transparente para que todos possam acompanhar seu uso de maneira democrática.

Enfim, para dividir com vocês da razão de concorrer ao conselho da SBC.

É Ver para Crer

Abril 2, 2009 por Julio Cesar Sampaio do Prado Leite

Apesar desse meio ser destinado a tratar de assuntos de  Engenharia de Software, registro fatos que considero  “Incríveis” (Amazing).

Uma desses fatos incríveis ocorreu hoje.

A última nota que escrevi foi sobre declarações “incríveis” do Exmo Sr. Vice-Presidente da República, que em recente entrevista falou sobre o fato do Presidente da República do Brasil ser uma pessoa popular no mundo.  Na verdade esse fato foi provocado por um jornalista, com o claro intuito de desmerecer as palavras do Sr. Vice-Presidente.

Hoje vejam/ouçam o que disse, hoje,  o Presidente dos Estados Unidos.

Para Pensar

Março 31, 2009 por Julio Cesar Sampaio do Prado Leite

Incrível!

Acabo de assistir a entrevista do Vice-Presidente da República do Brasil, Exmo. Sr. José Alencar ao Roda Viva na TV Brasil. Segundo ele  , se o Brasil tivesse, nos 4 anos do primeiro mandato do Presidente Luis Inácio Lula da Silva, reduzido a taxa de juros básico (Selic) pela metade, o seguinte seria verdade: (escute o aúdio do programa entre os 14:00´e 17:00´ — o aúdio está no canto direito da tela, basta avançar o cursor do tocador de aúdio)

a) Ainda teríamos a maior taxa de juros do planeta.

b) Teríamos economizado 300 bilhões de reais na rolagem da dívida.

c) Se considerarmos um período de 8 anos, a eventual economia seria de 600 bilhões de reais.

Ainda segundo o Exmo Sr. José  Alencar o total de todo o programa PAC é da ordem de 60 bilhões de reais.

É desnecessário ser um gênio para entender o quanto o Brasil perdeu, segundo as declarações do Sr. Vice-Presidente.

O incrível é que o Sr. Vice-Presidente é parte do governo que toma as decisões sobre a política de juros. Como bem diz o Exmo Sr. José Alencar, parafraseando Churchill, a democracia apesar de todos os defeitos é o melhor regime.

O que o Vice-Presidente deixou de mencionar é que essa política de juros altos existe desde a criação do Real, e que antes disso estava embutida na taxa de inflação.

Veja outra nota relacionada.

Outra observação: incrível a oportunidade desperdiçada pelos jornalistas que estavam presentes.  Em vez de aproveitarem o privilégio de terem o Vice-Presidente e perguntarem sobre a experiência do industrial no cargo que está a ocupar, ficaram preocupados em saber se o Vice-Presidente foi ou não a um jantar, ou quem ele apoiará numa eleição futura, ou ainda para falar de hora extra de funcionários do Senado, ou ainda criticá-lo por este ter observado o interesse internacional sobre o Presidente.  É mais que incrível: é triste.

Política Industrial

Março 17, 2009 por Julio Cesar Sampaio do Prado Leite

Abaixo reproduzo  um comentário que fiz  à nota postada pelo Dr. Gilberto Camera, Diretor do INPE, no blogue Observatório da Universidade em 13/03/09.

Prezado Gilberto,

Primeiro, parabéns pela transparência. Gostaria de tecer alguns comentários sobre sua nota.

Criar software é distinto de produzir software, tendo em vista que a produção no sentido estrito é apenas o processo de cópia e empacotamento, se for o caso.

Criar software requer conhecimento em três grandes áreas: conhecimento da engenharia de software, conhecimento da máquina computacional e conhecimento do contexto. A engenharia de software fornece métodos, técnicas e ferramentas para auxiliar na integração desses conhecimentos.

Portanto a capacidade de criar software é extremamente dependente da demanda, ou seja, do contexto e da máquina computacional. Ocorre, que, em alguns casos, como na área aeroespacial, que você aponta, deixou de haver uma integração entre os especialistas no contexto (aeronáutica) e da máquina computacional (hardware) com aqueles capacitados a criar software. Veja que, em outras áreas, como automação industrial, automação bancária, e automação comercial existem vários casos de sucesso com software nacional.

O que você reporta é fruto da falta de investimento anterior. Os setores que mencionei acima requerem menos capital para que sejam criados, como também têm um mercado de produção (cópias) bem maior. O que faltou ao longo de alguns anos é uma política de software que pudesse contemplar esses nichos especiais, em particular no setor aeroespacial. Veja o caso do projeto Radam. O software foi desenvolvido nos Estados Unidos, sendo que alguns dos desenvolvedores tinham se formado aqui no Brasil!

Portanto a questão é política. Creio que, como eu já tinha apontado em 1991, a política de software concentrada na exportação foi equivocada. A intenção era a melhor possível, mas faltou uma visão macro. Você só exporta quando é competitivo e para ser competitivo é preciso saber fazer: ou seja, adquirir experiência na integração das três áreas apontadas acima. O resultado é que vimos ao longo desses 17 anos o crescimento substancial de nosso debito em conta corrente no que tange a serviços, ou seja, aumentamos em muito a importação de software e os avanços na exportação, que são louváveis, ficaram bem abaixo do esperado.

No entanto, para tecer mais comentários sobre essa questão, seria necessário um estudo cuidadoso das contas nacionais e do levantamento de áreas prioritárias para que se evite, no futuro, situações como essa que você reportou.

Veja que o que estou falando acima é sobre política industrial, na qual a universidade é parte, mas não o centro. O ponto central é que precisamos unir os três tipos de conhecimento acima. Isso é difícil, porque, por exemplo, muitas vezes o fornecedor do hardware é opaco sobre informações importantes para a construção de software, só abrindo para empresas coligadas. No fundo, precisamos de mais investimento e esse investimento tem quer ser fomentado pelo estado, principalmente em áreas críticas e de grande especialização. Veja que, o avanço alcançado nos Estados Unidos na área de computação/informática é função do montante que o estado investiu e investe nessa área (em recente entrevista a revista Isto É, o Professor Noam Chomsky aponta essa característica estatizante na indústria de computação nos Estados Unidos (“Os Estados Unidos, o país mais rico do mundo, sempre foram altamente protecionistas. Sua economia avançada depende crucialmente do setor estatal. Se você pensa em computadores, internet, tecnologia da informação, laser, tudo isso foi financiado pelo Estado. Você não pode falar em livre mercado porque eles não acreditam nisso.” Entrevista à Revista Isto É, ediçâo de 27/02/09).

Juramento do Engenheiro de Software

Fevereiro 25, 2009 por Julio Cesar Sampaio do Prado Leite

Essa idéia de juramento de profissão pode parecer meio sem sentido, mas não é. Seria ótimo que todo profissional tivesse sempre rodando em “background” o seu juramento profissional. Evitaria tanta bobagem e burrice.
Enfim…, achei no bloque do Jose Luis Braga um juramento para o engenheiro de software. Vale a pena ler.

Do Fundo do Baú

Fevereiro 20, 2009 por Julio Cesar Sampaio do Prado Leite

Incrível.  Consegui colocar minha dissertação de mestrado disponível para leitura.

O título da dissertação é “Contabilidade de Custos no Desenvolvimento de Software“, e  lá se vão quase trinta anos!
No entanto, vale a pena ler.  Alguns dos problemas ali levantados ainda persistem.