Ipsis litteris — Redução Sociológica

Ipsis litteris significa: pelas mesmas letras.

Segue abaixo uma mensagem que postei na lista da Sociedade Brasileira de Computação, em função do levantamento feito por Carlos Montez e divulgado naquela lista. Listo aqui a mensagem completa, conforme o texto acima, inclusive com o erro de digitação que cometi no texto original. Esse assunto está diretamente ligado a uma nota que publiquei sobre Biblioteca Digital.

Portanto, segue ipsis litteris:

“Prezada(o)s,

Gostaria de agradecer ao Luiz por me chamar atenção para essa
mensagem. Gostaria de agradecer ao Carlos Montez pelas
informações que coletou. Venho durante muito tempo defendido
à idéia da importância de escrevermos em Português. Alguns de
vocês já conhecem meu discurso e muitas vezes podem pensar:
“o Julio de novo com a mesma ladainha”. Para dizer a verdade,
estou um pouco cansado, mas não morto. Continuo a acreditar
que é nosso dever publicar em Português.
São vários os argumentos.

No entanto, ao ler a mensagem, me veio à mente o trabalho
de Guerreiro Ramos. Lembro que meu pai costumava atender
ao telefone dizendo: “Guerreiro, meu chefe”. Isso mostrava
claramente sua admiração por esse grande brasileiro, um
verdadeiro cientista social brasileiro. É dele o
livro “A redução sociológica”.

Creio que nós, acadêmicos da computação, temos falhado
em fazer a “redução sociológica”. Até porque, alguns crêem
que não faz sentido fazer isso numa área que por natureza é
global e que, portanto deve usar a língua do mundo: “Inglês”.
No entanto, isso não nos ajudará a romper a barreira da
grande divisão que se instala no mundo e em particular
no nosso país. Falo da exclusão digital. É obvio que assumo
que o uso da linguagem natural, no caso o Português, é
fundamental para uma redução sociológica.

Se você chegou a ler até aqui. Continue. Faço abaixo
uma citação “Ipis-littris” do texto que achei (Google/Google Scholar)
que mais refletia minha lembrança sobre “redução sociológica”.
O trecho citado pertence ao artigo GUERREIRO RAMOS: UMA SOCIOLOGIA EM MANGAS DE CAMISA de
Edison Bariani, publicado em ISSN 1517-6916,
CAOS – Revista Eletrônica de Ciências Sociais
Número 11 – Outubro de 2006, Pág. 84-92.

O texto segue:

“Para Guerreiro Ramos a nossa formação econômica, política e
social dependente foi erigida sob as hostes do colonialismo
cultural, da subordinação mental da elite nativa em relação à
cultura dos países dominantes. A visão etnocêntrica ancorada
na cultura européia e norte-americana teria disseminado entre
nós uma concepção alienada da “realidade nacional”,
homogeneizadora e propagadora de um universalismo
abstrato que relegava a especificidade do “fenômeno nacional”.

Essa visão alienadora, segundo ele, tentava solapar as
contradições da sociedade brasileira, desconsiderando a
originalidade da estrutura social, tomando-a como simples
reflexo, imitação vil das determinações reinantes
nos países de capitalismo central, avançado.
Tal modalidade de pensamento intentava uniformizar o diferente,
apagar os antagonismos, isolar o estranho, abafar o ruído,
sincronizar os tempos históricos. A vivência nacional, situada
numa outra fase cultural3, reclamava fidelidade à sua própria
temporalidade, sua condição de
“contemporaneidade do não-coetâneo”4 instaurava uma
existência cultural própria e requisitava uma dialética específica.

Era mister – então – fazer uso da razão sociológica, da
capacidade da sociologia de aplicar(se) seu instrumental,
de rever-se, refletir a respeito de si e com relação à
estrutura social à qual estava vinculada, refazendo(se) métodos
e objetivos. Ao método crítico capaz de proceder a uma
reflexão dessa natureza, assimilando criticamente as
contribuições teóricas “importadas”,
Guerreiro Ramos chamou “redução sociológica”.”

jcl

> Prezados Colegas,
>
> Acho muito preocupante a situação, e bastante pertinente a colocação do
> Carlos
> Montez. Os professores que atuam em programas de mestrado, acredito que
> principalmente os que estão em programas novos, enfrentam sérias
> dificuldades
> em aumentar o número de publicações em períódicos frente a esta situação.
>
> O que podemos fazer, enquanto comunidade, para melhorar este quadro ?
> Penso que este assunto precisa ser amplamente debatido por nós.
>
> Luiz Eduardo Martins
> UNIMEP – Universidade Metodista de Piracicaba
> ===============================================
>
>
>
> On Wed, 30 May 2007 17:21:49 -0300, Carlos Montez wrote
>> Colegas
>>
>> Em tempos de webqualis, resolvi averiguar a quantidade de revistas
>> classificadas
>> como NACIONAL Qualis-A por área.
>>
>> Abaixo uma lista obtida em
>> (http://qualis.capes.gov.br/webqualis/ConsultaPeriodicos.faces)
>> com o número de periódicos Qualis A Nacional e a sua respectiva área.
>>
>> 65 – CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS I
>> 69 – CIÊNCIAS AGRÁRIAS
>> 47 – ADMINISTRAÇÃO, CIÊNCIAS CONTÁBEIS E TURISMO
>> 44 – ANTROPOLOGIA / ARQUEOLOGIA
>> 36 – ENGENHARIAS II
>> 51 – ENGENHARIAS III
>> 40 – ENGENHARIAS I
>> 31 – ENGENHARIAS I
>> 229 – MULTIDISCIPLINAR ( Isso mesmo, 229 periódicos classificados
>> como Nacional A)
>>
>> CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO
>> A Nacional – nenhuma !!!
>> B Nacional – 6
>>
>> Fico imaginando o quão difícil deve ser o trabalho de um consultor CNPq
>> ao ter que comparar o currículo de 2 pesquisadores de áreas
>> diferentes, caso um deles seja da Computação.
>>
>> Estou errado?
>>
>> Carlos Montez
>>

Pense! É incrível: certo?

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