Cursos Livres na Web

Recentemente, nos Estados Unidos, universidades de renome criaram cursos livres na rede, atraindo milhares de alunos. Essa iniciativa tem sido discutida nos meios acadêmicos tanto dos Estados Unidos como no resto do mundo. Um professor americano (Moshe Y. Vardi) , da área de Computação, e editor da revista da ACM publicou uma nota onde menciona essa discussão. O texto abaixo retrata uma primeira reação de minha parte a este movimento que em Inglês chama-se MOOC (massive open online course) e que, para alguns, estaria ameaçando o sistema universiário como ele é hoje.

Discordo da autocrítica, assim me parece, do Vardi; didática, apesar de importante, está longe de ser central no sistema universitário de hoje.

Um dos grandes inimigos do ensino universitário na atualidade é a pressão para que o ciclo seja mais rápido, porque o mercado quer consumir a energia dos jovens o mais cedo possível.

Além de custo, MOOCs têm como requisito não-funcional a velocidade.

“Quem tem pressa, come cru”. O ponto é que o processo educacional numa universidade deve ter um tempo de maturação para que o jovem ganhe maturidade à medida que avança em termos de conhecimento.

O ponto é discutir o processo de maturidade, que creio é mais importante que o requisito de custo.

Por outro lado, MOOCs podem ser um instrumento democratizante, ou seja um instrumento que vá contra a torre de marfim. No entanto, o grande problema do MOOC é que é uma atividade com chance de formação de um grande oligopólio, que no caso de educação é extremamente perigoso, porque pode ferir o principio de autodeterminação.

Do ponto de vista tecnológico o problema central de MOOCs é o de fragmentação. È difícil manter um aluno interessado ao longo do tempo num espaço virtual, sem uma obrigação social/institucional da presença. Isso pode levar a uma grande perda por parte do aluno (custo no sentido de horas que podem vir a ser jogadas fora) dada a falta de continuidade.

Claro, MOOCs podem e devem reduzir custos, assim se espera, mas isso só se fará na medida em que houver concentração no mercado, ou seja investir em um e vender milhões (anúncios), o que pode ser entendido como um retrocesso.

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