Carta

Segue abaixo carta destinada ao Professor Erney Plessmann Camargo, presidente do CNPq. Essa carta está relacionada à nota sobre maturidade de software publicada nesse mesmo espaço. Nessa nota comento sobre a autorização do Professor para a publicação dessa carta.

Professor Erney Plessmann Camargo,

Gostaria de comentar sobre sua recente carta destinada aos pesquisadores
do Cnpq.

Começarei pelo fim. Parabéns por uma administração, que, creio, ficou
marcada por uma maior transparência no trato desse fundamental serviço à
nação brasileira. Obrigado por sua dedicação a essa causa.

Antes de tudo, há que se congratular o Cnpq pela iniciativa de aprofundar a automação de seus processos. A política de informatização, se bem executada, certamente atingirá os benefícios apontados pelo Professor em sua carta. A automação dos procedimentos de análise e submissão de
propostas e a plataforma Lattes foram importantes passos e que agora, entendo, terão uma amplitude ainda maior.

Na carta do Professor há uma parte que, particularmente, chamou minha atenção, segue-se a citação literal: “A partir de Junho, a circulação de pedidos em papel praticamente desaparecerá do CNPq. Nosso corpo técnico
terá, assim, mais liberdade e tempo para se dedicar a questões
substantivas e de mérito, parcialmente liberado da burocracia documental. O programa, como sempre, ainda não está isento de defeitos e “bugs”.”.

Professor Erney Plessmann Camargo, como cientista da área de Engenharia de Software, sinto-me na obrigação de comentar o “como sempre” do texto acima. É importante dizer que a Engenharia de Software, hoje, já dispõe de métodos, técnicas e ferramentas que possibilitam níveis de qualidade
comparáveis aos das engenharias tradicionais. Por outro lado, existe uma infinidade de barreiras técnicas e não técnicas que bloqueiam o uso do conhecimento hoje disponível. Entendo que o “como sempre” é uma reclamação justa de quem, certamente, em várias ocasiões, já se defrontou com a justificativa, mal utilizada, de que defeitos são da natureza do software. Software, como qualquer artefato, é o resultado de um processo
de construção. O nível de qualidade desses artefatos resulta do nível de qualidade dos processos empregados na sua construção.

Creio que sua carta é uma importante mensagem aos produtores de software assim como para a comunidade de pesquisa em Engenharia de Software. Já ouvi várias vezes, de atores organizacionais com alto poder de decisão,
frases semelhantes ao “como sempre”. É um fenômeno sociológico, porque essa constatação é universal. No entanto, cada vez mais se encontra uma resistência a essa constatação. A sociedade começa a exigir, com razão, que o software tenha mais qualidade, que seu processo seja mais
transparente.

Quero entender seu “como sempre” como uma exigência e não uma resignação. Os desafios são grandes tanto do ponto de vista educacional: levar aos produtores o conhecimento dos processos hoje existentes, como também de pesquisa: reduzir os custos dos processos de construção de software com
qualidade.

Gostaria de solicitar ao Professor sua concordância para que torne pública essa carta.

Mais uma vez obrigado por sua dedicação à ciência e tecnologia do nosso país.

Atenciosamente,
                                        julio cesar leite

Uma resposta to “Carta”

  1. Maturidade « Amazing Says:

    […] Amazing Esses textos pertencem ao autor. Se gostou: use. No entanto, não esqueça de fazer a citaçâo. [Leite 07] Leite, J.C.S.P., “título da nota”,”mês/ano”, em Amazing — Comentários sobre Engenharia de Software, https://jcspl.wordpress.com/, 2007. « Carta […]

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